* Carpe Omnius *
sábado, 31 de março de 2012
'O que me importa agora é o outono chegando devagarzinho, são as folhas caindo, as loucuras descaradas, os meus escritos guardados no seu armário. O que me importa são as rosas na janela do quarto dela e o cd do Cazuza tocando sempre. Ever. E foda-se o que acontecer, eu sei. ela sempre estará. Perto.'
segunda-feira, 19 de março de 2012
ninguém morre de amor.
se morre de infarto
se morre de câncer
se morre em salas de cirurgia.
mas não se morre de amor.
de amor
se sofre
se sacrifica
se entrega
se vive
se fode
se ama.
só ama com amor quem sente o amor
rasgando
esmagando
sangrando
pele, coração e alma.
amor não mata.
portanto, te dou um conselho, meu caro, ame!
mas ame com coragem
com vontade
com tesão
e terás a vida eterna.
(amem).
se morre de infarto
se morre de câncer
se morre em salas de cirurgia.
mas não se morre de amor.
de amor
se sofre
se sacrifica
se entrega
se vive
se fode
se ama.
só ama com amor quem sente o amor
rasgando
esmagando
sangrando
pele, coração e alma.
amor não mata.
portanto, te dou um conselho, meu caro, ame!
mas ame com coragem
com vontade
com tesão
e terás a vida eterna.
(amem).
Uma puta desqualificada
- você nunca passou a noite comigo.
- você diz não saber o que sente por mim.
- você sabe me comer muito bem.
- você bebe quatro cervejas comigo e acha que me deixa alegre com isso.
- você não presta atenção quando eu falo.
- você não acha que sou mulher pra casar.
- você não deixa de fazer suas coisas porque combinou de me ver.
- você não se preocupa em não se atrasar.
- você não faz mais surpresas.
- você se faz de vítima.
- você se magoa por eu falar que me senti uma puta quando me comeu durante uma hora e depois disse que precisava ir embora.
era eu quem deveria estar triste e não estou.
se sou sua puta, seu amor, sua menina, mulher, qualquer uma... não me importa mais.
porque apesar de tanto não,
ainda é você quem me completa
e eu continuarei te amando
mesmo você me tratando como uma puta.
sua puta.
sua.
- você diz não saber o que sente por mim.
- você sabe me comer muito bem.
- você bebe quatro cervejas comigo e acha que me deixa alegre com isso.
- você não presta atenção quando eu falo.
- você não acha que sou mulher pra casar.
- você não deixa de fazer suas coisas porque combinou de me ver.
- você não se preocupa em não se atrasar.
- você não faz mais surpresas.
- você se faz de vítima.
- você se magoa por eu falar que me senti uma puta quando me comeu durante uma hora e depois disse que precisava ir embora.
era eu quem deveria estar triste e não estou.
se sou sua puta, seu amor, sua menina, mulher, qualquer uma... não me importa mais.
porque apesar de tanto não,
ainda é você quem me completa
e eu continuarei te amando
mesmo você me tratando como uma puta.
sua puta.
sua.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Então. Já é terça!
Naquela noite no caminho pra casa ela chorou. não um choro desesperado, era um choro calmo. os sentimentos se confundiam misturavam como se estivessem dentro de um liquidificador.
- por que chora?
- não sei. acho que é felicidade.
- choro de alegria é bom, né?
ela se lembrou de quando tudo aquilo começou. se mudou pra São Paulo ía a festas cheirava enlouquecidamente pra esquecer das idéias que corroíam - não somente sua mente mas também seu corpo - virava copos de vodka fumava um cigarro atrás do outro ficava noites sem dormir sumia de casa durante dias.
Nesse tempo conheceu pessoas incríveis, a maioria amizade de ocasiões.
Foda-se! ela não queria amigos verdadeiros naquela época. e ela chorava naquela noite porque tudo que imaginou pra sua vida estava acontecendo. uma vida sem til cedilha ponto e vírgula interrogação.
Festas, cocaína, trabalho, alcool, cigarros e uma casa pra morar sozinha. uma casa na qual ela podia chegar bagunçar e arrumar quando quisesse deixar a louça pra lavar só no final de semana chamar os amigos a hora que fosse e colocar o rádio num volume que estourasse as caixas de som.
Era felicidade, porra! Tinha dinheiro, casa, comida e um amor. Fez uma lista do que precisava pra próxima semana: duas tatuagens, cervejas, comprar o dvd Cidade dos Sonhos, ir na exposição do Andy e começar a ler: a maçã no escuro da Clarice L.
e ainda chorando escreveu na parede do quarto:
'mais um dose! é claro que eu tô afim.'
'O que me importa agora é o outono chegando devagarzinho, são as folhas caindo, as loucuras descaradas, os meus escritos guardados no seu armário. O que me importa são as rosas na janela do quarto dela e o cd do Cazuza tocando sempre. Ever. E foda-se o que acontecer, eu sei. ela sempre estará. Perto.'
Eu tremia. Tremia muito.
Lembro que minha visão já estava turva, e as pernas bambas.
Aquele quarto apertado e quente, nós duas, os corpos comprimidos um sobre o outro, nossas roupas amassadas, molhadas de suor.
E você me olhava e olhava e olhava.
Um olhar sereno, não igual aos anteriores, da noite passada, mas um olhar dizendo mais que um simples
'eu te amo'.
Enquanto eu, num êxtase de ver o sol, de tomar um banho gelado, pouco me preocupava com as frases ditas através dos seus olhos!
Quis desaparecer da cidade por dias.
O amor dela era tão sufocante que me dava náuseas.
Nossos finais-de-semana ociosos, grudadas naquele quartinho bagunçado, só em pensar, me faltava ar!
Eu precisava dizer que ia embora. Talvez amanhã, semana que vem ou até mesmo anteontem, já era pra ter feito! Mas isso seria fulminante.
Então, fui sem avisar. Pensei que assim seria menos doloroso. Foragida de um amor, sem saber o que ela pensava sobre aquilo que um dia foi e que, quem sabe, um dia poderia voltar a ser.
Descrente de todas aquelas vivências, do nosso futuro, das juras de amor. Refém do próprio medo. Era um amor que doía na alma, sangrava na pele. E lateja. Agora mais forte. Até quando? Eu não estava preparada.
-'fofura, me perdoa! fiz tudo por medo, insegurança. volta pra mim!'
Ela não acreditaria.
Não pedirei beijos, nem abraços. Só um olhar, e que nele consigamos nos ver refletidas na pupila uma da outra. Por segundos, que seja. Mas que ainda assim, você possa decifrar tudo aquilo que eu podia ter dito naquele dia quente com as flores amarelas entre as mãos, todos os nossos planos e a promessa de que te traria felicidade independente do que acontecesse.
Eu continuaria tremendo. E você diria:
-'Quanta falta de comprometimento!'
Os ponteiros do relógio marcavam 17hs e ainda tinha o por do sol no Arpoador. Você sorria, me abraçava e dizia ao pé do ouvido que tava tudo bem, acreditava em mim, ainda me amava e que a partir de agora tudo seria mais bonito porque era domingo.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Já tinha alcançado o meu limite.
As horas passavam ligeiramente...
Gostaria de poder dizer mais, de ficar mais...
24 horas não me eram mais suficientes! Eu queria ir além de mim...
Mas meu corpo não conseguia se expressar como antes, meus olhos não enxergavam mais o óbvio, meu paladar desaprendera a diferenciar o doce do amargo e eu já estava enjoada daquele meu perfume.
Se eu pudesse, trocaria tudo por aquele pôr-do-sol da semana passada. Lá no mirante do Leblon,
A água de coco gelada,
aquela brisa de fim de tarde batendo sobre os nossos rostos
e os 30º graus das 17hs da zona sul do Rio de Janeiro.
Mas o mirante tem se transformado no metrô lotado, na vodka fraca, nos finais de semana ociosos. E enquanto vejo aquele filme anos 80 na tv, acendo meu cigarro, o último.
- Já sei! Sempre digo isso. Mas hoje é diferente.
(passei meu batom atração e deixei que o som da televisão se misturasse com meus pensamentos, que vagavam tragadas adentro no meu pulmão...)
As horas passavam ligeiramente...
Gostaria de poder dizer mais, de ficar mais...
24 horas não me eram mais suficientes! Eu queria ir além de mim...
Mas meu corpo não conseguia se expressar como antes, meus olhos não enxergavam mais o óbvio, meu paladar desaprendera a diferenciar o doce do amargo e eu já estava enjoada daquele meu perfume.
Se eu pudesse, trocaria tudo por aquele pôr-do-sol da semana passada. Lá no mirante do Leblon,
A água de coco gelada,
aquela brisa de fim de tarde batendo sobre os nossos rostos
e os 30º graus das 17hs da zona sul do Rio de Janeiro.
Mas o mirante tem se transformado no metrô lotado, na vodka fraca, nos finais de semana ociosos. E enquanto vejo aquele filme anos 80 na tv, acendo meu cigarro, o último.
- Já sei! Sempre digo isso. Mas hoje é diferente.
(passei meu batom atração e deixei que o som da televisão se misturasse com meus pensamentos, que vagavam tragadas adentro no meu pulmão...)
Sua
Eu sempre quis que ela chegasse.
Me contavam que sua pele era branca assim como os lírios e que seus olhos eram tão claros, como uma água cristalina.
Eu, sempre pretensiosa e cheia de desejos. E metamorfoses. Anseios.
Anseio da escuridão que só eu via, mesmo quando era dia.
Os dias que não tinham mais tanta intensidade, o vento que não balançava mais meus cabelos, meus pés, rachados, de tanto pisar nos cacos de vidro espalhados na sua rua.
Também sabia do perigo e da aventura que era eu me apaixonar por ela. Mas tudo que me causava adrenalina era instigante.
Nos conhecemos um ano após o ano bissexto. Por acaso. Um encontro informal, num bar em Ipanema.
E como eu já esperava... Foi paixão à primeira vista! Cafona dizer assim, mas não tem outro jeito.
Os olhos brilharam como não brilhavam há anos, os cabelos balançaram sozinhos e a intensidade dos dias voltou.
Em segundos, todos os meus 22 anos passaram na minha mente em imagens recortadas, embaçadas e confusas. As vozes ao redor soavam como ecos, as palavras embaralhadas, eu mal ouvia o tic-tac do relógio. O coração quase saltando pra fora, e minhas pernas e mãos trêmulas.
Nós duas num único corpo, como eu sempre desejei. Eu ali. Expelida pro mundo. Paralisada. Sem oportunidade pra arrependimentos. As alucinações frequentes, os delírios, a felicidade que ela me proporcionava não tinham medidas.
Foi então que percebi!
Ela já tinha se tornado um vício.
Como podia me deixar acordar sozinha, sem alguém pra me dizer: Bom dia! Ou levar o café da manhã na cama?!?! Toda vez era a mesma coisa! Eu acordava angustiada dos nossos finais de semana conturbados e agitados.
Mas insistia. Insistia porque apesar de tudo, eu senti, bem no fundo, que não conseguia mais ficar sem ela.
E mais ainda, não sabia como era continuar a vida com ela.
Eu precisava me arriscar!
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