Naquela noite no caminho pra casa ela chorou. não um choro desesperado, era um choro calmo. os sentimentos se confundiam misturavam como se estivessem dentro de um liquidificador.
- por que chora?
- não sei. acho que é felicidade.
- choro de alegria é bom, né?
ela se lembrou de quando tudo aquilo começou. se mudou pra São Paulo ía a festas cheirava enlouquecidamente pra esquecer das idéias que corroíam - não somente sua mente mas também seu corpo - virava copos de vodka fumava um cigarro atrás do outro ficava noites sem dormir sumia de casa durante dias.
Nesse tempo conheceu pessoas incríveis, a maioria amizade de ocasiões.
Foda-se! ela não queria amigos verdadeiros naquela época. e ela chorava naquela noite porque tudo que imaginou pra sua vida estava acontecendo. uma vida sem til cedilha ponto e vírgula interrogação.
Festas, cocaína, trabalho, alcool, cigarros e uma casa pra morar sozinha. uma casa na qual ela podia chegar bagunçar e arrumar quando quisesse deixar a louça pra lavar só no final de semana chamar os amigos a hora que fosse e colocar o rádio num volume que estourasse as caixas de som.
Era felicidade, porra! Tinha dinheiro, casa, comida e um amor. Fez uma lista do que precisava pra próxima semana: duas tatuagens, cervejas, comprar o dvd Cidade dos Sonhos, ir na exposição do Andy e começar a ler: a maçã no escuro da Clarice L.
e ainda chorando escreveu na parede do quarto:
'mais um dose! é claro que eu tô afim.'
'O que me importa agora é o outono chegando devagarzinho, são as folhas caindo, as loucuras descaradas, os meus escritos guardados no seu armário. O que me importa são as rosas na janela do quarto dela e o cd do Cazuza tocando sempre. Ever. E foda-se o que acontecer, eu sei. ela sempre estará. Perto.'
0 comentários:
Postar um comentário